sexta-feira, março 17, 2017

para não esquecer os filmes


Um homem tenta criar os filhos fora do sistema capitalista, numa floresta. As crianças são estudiosas, fortes e são como guerreiros. A mãe das crianças não participa do cotidiano porque está deprimida. Quando ela se suicida, a família vai para a cidade e as questões aparecem: o filho mais velho não sabe lidar com o mundo, outro filho se revolta e bota a culpa da morte da mãe no pai, os sogros culpam o homem por ter inventado o estilo de vida na floresta. Ao mesmo tempo, as crianças são todas estudiosas. Um deles é aprovado em todas as seleções universitárias que tentou. O filme - "Capitão Fantástico" (Matt Ross, 2016) - desenvolve alguns desses conflitos. É um dos filmes mais cativantes que vi este ano.

Marcadores:

para não esquecer os filmes


"O Apartamento" (Asghar Farhadi, 2016) ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Foi o segundo Oscar para um filme iraniano e o segundo de Asghar Farhadi. O outro foi por "A Separação"(2011), em 2012. Um homem entra no apartamento de um casal pouco depois de eles se mudarem para o novo endereço e violenta a mulher. O marido, inconformado com a violência, faz de tudo para descobrir quem violentou sua companheira e descobre. Depois tenta um plano de vingança. O bom do filme são as nuances das emoções humanadas. A situação de medo que a mulher vive após ser violentada, o conflito com o marido porque não conseguem chegar a um acordo: ele quer denunciar à polícia, mas ela não. Ao mesmo tempo, ela não quer ficar sozinha em casa, mas também não quer sair de casa porque não quer que ninguém saiba do ocorrido. Quando o marido descobre quem entrou na casa e tenta se vingar, a mulher pede que ele não se vingue. O ponto fraco do filme é uma tentativa de relação com o teatro, especificamente com uma peça em que o casal atua. A cena final é desnecessária.

Marcadores:

para não esquecer os filmes


"Moonlight" (Barry Jenkins, 2016) ganhou o Oscar de melhor filme em 2017. Fazia anos que eu não fazia questão de ver o filme ganhador do Oscar de melhor filme. Até porque é difícil conseguir assistir a um filme americano. "Moonlight" é uma produção independente, trata da homossexualidade de um garoto negro filho de uma mãe viciada em craque e que é ajudado pelo chefe do tráfico de drogas. O enredo é incrível, corri para ver no cinema. Mas não tem roteiro. A história se perde no primeiro terço do filme e a última parte - é dividido numa espécie de três capítulos (infância, adolescência e juventude) - é bem arrastada.

Marcadores:

quarta-feira, março 15, 2017

para não esquecer os filmes



"A Garota Desconhecida" (irmãos Dardenne, 2016) foi o quinto filme que eu assisti dos irmãos e a obstinação da médica Jenny Davin estava lá, assinando o filme com a marca deles. Doutora Davin é uma médica dedicada. Certo dia, Jenny, após o fim do expediente, não abre a porta da clínica para atender mais um paciente fora do expediente. No dia seguinte, Jenny descobre que quem pedia ajuda era uma adolescente que tentava escapar de uma violência. Jenny, corroída pela culpa, se obstina em descobrir quem era a garota. O filme poderia aprofundar a questão de imigrantes na Europa. As cenas finais são dispensáveis. Deixa o final muito didático.

Marcadores:

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

para não esquecer os filmes


Faz dois dias que vi "Lion: uma jornada para casa" (Garth Davis) e não esqueço da criança do filme. Baseado em fatos reais, a primeira parte do filme, interpretada pelo indiano Sunny Pawar, é muito comovente, não apenas pela história, mas pela interpretação do garotinho. Mesmo sabendo que a história termina, na medida do possível, bem, como os filmes baseados em fatos reais, Lion mexeu muito comigo. Primeiro por causa da história do garoto que se perde na Índia e é adotado por uma família australiana. Segundo por causa da história de milhares de crianças que se perdem no mundo e de suas famílias que os perderam.

Marcadores:

para não esquecer os filmes


Uma seleção para executivo de uma grande empresa bota sete candidatos em situações complicadas a partir de um método de seleção. Com diálogos inteligentes e rápidos, até certo momento do filme (no final, perde um pouco), "O que você faria?" (Marcelo Piñeyro, 2005) faz uma crítica ao mundo do trabalho, mas também mostra, a cada situação colocada pelo método da seleção, como as coisas não são muito simples.

Marcadores:

para não esquecer os filmes

"O Amor está na Mesa" (Jean-Yves Pitoun, 1998) é um filme de sessão da tarde. Um chef americano é mal compreendido nos Estados Unidos e vai para a França, onde um chef francês meio louco dá muitas chances a ele. Na verdade, se apega a ele de uma maneira esquisita. O filme mostra os surtos do chef francês e como o chef americano consegue contornar as situações. Fraco.

Marcadores:

para não esquecer os filmes


"A Cidade onde Envelheço" (Marília Rocha, 2016) poderia ser um filme bem melhor, mas a diretora se perde na beleza das meninas e no movimento delas. Isso é belo, mas questões poderiam ser aprofundadas. Uma portuguesa que vive em Belo Horizonte recebe uma amiga hóspede vinda de Portugal. A partir daí a hóspede vai se adaptando à cidade enquanto que a portuguesa, que já vive no Brasil há alguns meses, vai sentindo mais saudade de Portugal. Muitas nuances são mostradas, mas tratadas de maneira rasa. É bom, mas poderia ser melhor.

Marcadores:

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

para não esquecer os filmes


"Redemoinho" (José Luiz Villamarim, 2017) é um filme brasileiro acima da média. Boas atuações, fotografia impecável e roteiro consistente. Gildo chega a Guatacases e passa a véspera de Natal às voltas com um amigo de infância, Luzimar. Neste encontro estão muitas questões: morte, sexualidade, amores deixados para trás, caminhos percorridos, filhos, violência sexual, deixar ou não a pequena cidade de Guatacases para ganhar a vida em outro lugar. A única coisa que poderia deixar o filme ainda melhor seria entrar na questão crucial um pouco antes. Demora-se a entrar no conflito e tudo se resolve rapidamente. Tudo não, muitas questões ficam em aberto, que também é uma parte boa do filme.

Marcadores:

para não esquecer os filmes



"Estrelas além do tempo" (Theodore Melfi, 2016) é daqueles filmes americanos que sabemos como começa e sabemos que vai terminar tudo bem, mas isso não tira dele o mérito de ser uma boa história e muito bem contada. Antes, um adendo, o título em inglês é Hidden Figures, um título decente. Pelo título em português não dá vontade de ver. Só fui porque li a sinopse e vi o título em inglês.

As hidden figures são mulheres negras que trabalhavam na Nasa nos anos da Guerra Fria, anos 1960, e enfrentavam problemas por serem mulheres e negras, num país que tinha acabado com a segregação racial na legislação, mas que ainda guardava resquícios fortes e cruéis desta segregação. A maneira como essas mulheres lidam com as questões e seguem a vida é bom de se ver. É um filme importante, especialmente em tempos de Trump.

Marcadores:

para não esquecer os filmes


É duro dizer, mas "Clarisse ou alguma coisa sobre nós dois" (Petrus Cariry, 2015) talvez seja o pior filme que eu veja em 2017. Péssimas atuações, roteiro ruim, densidade forçada, cenas maçantes. Nem a fotografia que entendidos dizem ser o melhor do filme me comoveu.

Do nada Clarisse resolve visitar o pai que mora num sítio/casa de serra. Não há nenhum nenhum introdução aos conflitos e às questões que eles carregam. Tudo tem o mesmo peso. Não há uma delicadeza, não há uma dúvida, é tudo peso. E ainda é pretensioso. Definitivamente, classificado como ruim.

Marcadores:

terça-feira, janeiro 31, 2017

para não esquecer os filmes



Duas cenas me comoveram profundamente em Kes (Ken Loach, 1969). Na primeira, Billy, o protagonista que vive na periferia de uma cidade inglesa sob violência física e simbólica do mundo, está em uma aula de inglês ou literatura e conta aos colegas de sala sobre o falcão que cria e adestra com muita obstinação. Ali, Billy é a prova de como uma atividade que nada tem a ver com uma educação formal pode ensinar. Criar e adestrar o falcão é também a pequena alegria de Billy numa realidade tão dura. Na segunda cena, o mesmo professor da aula de inglês ou literatura tira Billy de uma briga e conversa com ele. Billy faz um desabafo humano. Desabafo, parece-me, do diretor por mais humanidade. Ken Loach faz este apelo também em Eu, Daniel Blake, de 2016.

Marcadores:

para não esquecer os filmes


Para os não adeptos do poli-amor, talvez A Comunidade (Thomas Vinterberg, 2016) vá às últimas consequências da vida em comunidade. Um coletivo resolve dividir uma casa, quando o casal que primeiro tem a ideia de dividi-la se separa e a nova namorada se junta à comunidade e passa a conviver com a ex-mulher. É um bom filme, mas poucas questões da vida em comunidade são exploradas na trama. E algumas questões são muito rapidamente resolvida. Este é mais um filme do dinamarquês Thomas Vinterberg que coloca as famílias nessas situações-limite, como em Festa em Família (1998) e A Caça (2012), seu melhor filme.

Marcadores:

terça-feira, janeiro 24, 2017

para não esquecer os filmes



"Caos Calmo" (Antonio Luigi Grimaldi, 2008) é um desses filmes que se você não está com vontade de ver nenhum estilo de filme especificamente pode ver este e vai gostar. A história começa a partir da morte de uma mulher, que deixa marido e filha pequena. A partir daí, o pai vai aprender tudo sobre como conviver com a filha e exagera: fica na porta da escola, diariamente, enquanto aguarda o término das aulas da menina. Nisso, várias relações são criadas a partir da estadia do homem na praça em frente à escola. Ora a praça vira um escritório de trabalho, ora vira um lugar de descanso, ora algum personagem de sua vida pessoal aparece. O filme tem suas delicadezas.

Marcadores:

para não esquecer os filmes


O que eu mais gostei em "Fora do Jogo" (Jafar Panahi, 2006) foi o fato de ser um filme iraniano feminista. Que a história é bem contada, que os iranianos fazem mesmo os meus filmes favoritos, são detalhes. Como em "Balão Branco" (JP, 1995), o "Fora do Jogo" ocorre em tempo real (ou quase), no tempo de um partida de jogo de futebol. Um grupo de garotas que não podem ir ao estádio se vestem como meninos para ver o jogo, mas são barradas na entrada. Passam os 90 minutos numa negociação com os guardas. A proibição da qual elas são vítimas parece absurda para nós, ocidentais brasileiras, mas, se repararmos bem, somos ou fomos, num passado recente, tão repreendidas quanto elas. O filme mostra as limitações sociais que as mulheres do Irã sofrem, mas mostra também como elas, com bom humor, atravessam isso.

Marcadores:

terça-feira, janeiro 17, 2017

para não esquecer os filmes



Filmes non-sense não são muito o tipo de filme que eu gosto, mas quando é bem feito... O difícil é conseguir sustentar uma falta de noção do começo ao fim. Em "Animal Político", do diretor pernambucano Tião, ele tenta, mas não gostei. Uma vaca é a protagonista e narradora da história, mas no meio do filme, a vaca, que aparecia nos cenários mais inusitados - cabeleireiro, restaurante, escola -, se transforma numa vaca bípede. Há ainda uma narrativa paralela sobre uma caucasiana numa ilha deserta que não tem muito sentido. E o filme acaba por se perder. Ele fresca com algumas coisas, com a ABNT, por exemplo, faz alguns gracejos, mas o título promete muito, o argumento promete mais, mas fiquei a me perguntar, que filme foi este?

Marcadores:

para não esquecer os filmes



Durante a Mostra Expectativa-Retrospectiva do Cinema do Dragão do Mar, vi "Eu, Daniel Blake", do diretor inglês Ken Loach, de quem eu nunca tinha visto um filme sequer. Um carpinteiro recém-infartado faz um périplo para conseguir um auxílio financeiro por conta da saúde debilitada. Detalhe: a médica dele diz que ele ainda não pode trabalhar, mas a perícia do governo não concede o benefício, pois o considera apto ao trabalho. Durante os 97 minutos do filme, acompanhamos angustiados a peleja de Dan, que vive momentos de ternura com Katie, mãe solteira de duas crianças, que chega à Newcastle também com dificuldades financeiras, vítima do governo. No final do filme, todo mundo engole seco não apenas o governo da Inglaterra, retratado do filme, mas o nosso governo e o que vem por aí.

Marcadores:

para não esquecer os filmes



O que eu achei mais interessante em "Moana: um mar de aventuras", que vi com os meus sobrinhos sexta-feira (13 de janeiro), foi a religação com a natureza que precisa ser feita. O filme conta a história de Moana, uma nativa escolhida pelo mar para restaurar a natureza. Essa coisa de escolhida eu acho um atraso de vida, mas vamos pra frente. Moana enfrenta o mar - com momentos de dificuldades e frustração, que até os escolhidos enfrentam - e não é uma princesa clássica da Disney. Outro avanço. Qualquer avanço nos filmes da Disney já é bom, já que as crianças vão ver os filmes de todo jeito. Fazia anos que não via um filme da Disney e sempre penso que tem algo ruim por traz deles. Neste não foi diferente. Para além da "escolhida" para restaurar a natureza, as pessoas do Pacífico acusaram a Disney de lucrar com a exploração de um mito da região. Penso que seja motivo, sim, de incômodo para os povos das ilhas do Pacífico. 

Marcadores:

terça-feira, janeiro 10, 2017

para não esquecer os filmes


Já li mais sobre Cláudio Assis do que acompanhei seus filmes. Por Amarelo Manga, que vi recentemente, e pelas entrevistas e matérias que li com e sobre ele, jamais imaginei que ele fizesse um filme como Big Jato, baseado no livro de Xico Sá. O filme, que se passa no interior de um Brasil pobre, traz uma assepsia que incomoda. Nada me comoveu no filme, nem o menino incompreendido pelo seu sertão, nem o tio anarquista rock-n-roll que adora Beatles, nem o pai do menino que bebe cachaça e limpa fossas, nem a mãe do menino que só reclama do marido que bebe cachaça, nem os irmãos do menino que só arengam, nem uma paquera-crush do menino que tem um aparelho celular num filme que parece se passar nos anos 70. Nem os clichês, nem a obviedade, nem a beleza do Vale do Catimbau (PE), com o personagem ali numa crise existencial mal interpretada. Fico pensando que ou Cláudio Assis não sabe adaptar filme pro cinema ou é muito urbano e não sabe o que é o sertão, embora seja quase um homem do Sertão.

Marcadores:

domingo, janeiro 08, 2017

para não esquecer os flmes


Revi Habemus Papam, de Nanni Moretti, sobre um cardeal que entra em crise após ser escolhido para o pontifício. A complexidade boa do filme é colocar em xeque a fé como garantia de todas as certezas humanas.

Marcadores: