para não esquecer os filmes
Já li mais sobre Cláudio Assis do que acompanhei seus filmes. Por Amarelo Manga, que vi recentemente, e pelas entrevistas e matérias que li com e sobre ele, jamais imaginei que ele fizesse um filme como Big Jato, baseado no livro de Xico Sá. O filme, que se passa no interior de um Brasil pobre, traz uma assepsia que incomoda. Nada me comoveu no filme, nem o menino incompreendido pelo seu sertão, nem o tio anarquista rock-n-roll que adora Beatles, nem o pai do menino que bebe cachaça e limpa fossas, nem a mãe do menino que só reclama do marido que bebe cachaça, nem os irmãos do menino que só arengam, nem uma paquera-crush do menino que tem um aparelho celular num filme que parece se passar nos anos 70. Nem os clichês, nem a obviedade, nem a beleza do Vale do Catimbau (PE), com o personagem ali numa crise existencial mal interpretada. Fico pensando que ou Cláudio Assis não sabe adaptar filme pro cinema ou é muito urbano e não sabe o que é o sertão, embora seja quase um homem do Sertão.
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