para não esquecer os filmes
Duas cenas me comoveram profundamente em Kes (Ken Loach, 1969). Na primeira, Billy, o protagonista que vive na periferia de uma cidade inglesa sob violência física e simbólica do mundo, está em uma aula de inglês ou literatura e conta aos colegas de sala sobre o falcão que cria e adestra com muita obstinação. Ali, Billy é a prova de como uma atividade que nada tem a ver com uma educação formal pode ensinar. Criar e adestrar o falcão é também a pequena alegria de Billy numa realidade tão dura. Na segunda cena, o mesmo professor da aula de inglês ou literatura tira Billy de uma briga e conversa com ele. Billy faz um desabafo humano. Desabafo, parece-me, do diretor por mais humanidade. Ken Loach faz este apelo também em Eu, Daniel Blake, de 2016.
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