sexta-feira, fevereiro 24, 2017

para não esquecer os filmes


Faz dois dias que vi "Lion: uma jornada para casa" (Garth Davis) e não esqueço da criança do filme. Baseado em fatos reais, a primeira parte do filme, interpretada pelo indiano Sunny Pawar, é muito comovente, não apenas pela história, mas pela interpretação do garotinho. Mesmo sabendo que a história termina, na medida do possível, bem, como os filmes baseados em fatos reais, Lion mexeu muito comigo. Primeiro por causa da história do garoto que se perde na Índia e é adotado por uma família australiana. Segundo por causa da história de milhares de crianças que se perdem no mundo e de suas famílias que os perderam.

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para não esquecer os filmes


Uma seleção para executivo de uma grande empresa bota sete candidatos em situações complicadas a partir de um método de seleção. Com diálogos inteligentes e rápidos, até certo momento do filme (no final, perde um pouco), "O que você faria?" (Marcelo Piñeyro, 2005) faz uma crítica ao mundo do trabalho, mas também mostra, a cada situação colocada pelo método da seleção, como as coisas não são muito simples.

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para não esquecer os filmes

"O Amor está na Mesa" (Jean-Yves Pitoun, 1998) é um filme de sessão da tarde. Um chef americano é mal compreendido nos Estados Unidos e vai para a França, onde um chef francês meio louco dá muitas chances a ele. Na verdade, se apega a ele de uma maneira esquisita. O filme mostra os surtos do chef francês e como o chef americano consegue contornar as situações. Fraco.

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para não esquecer os filmes


"A Cidade onde Envelheço" (Marília Rocha, 2016) poderia ser um filme bem melhor, mas a diretora se perde na beleza das meninas e no movimento delas. Isso é belo, mas questões poderiam ser aprofundadas. Uma portuguesa que vive em Belo Horizonte recebe uma amiga hóspede vinda de Portugal. A partir daí a hóspede vai se adaptando à cidade enquanto que a portuguesa, que já vive no Brasil há alguns meses, vai sentindo mais saudade de Portugal. Muitas nuances são mostradas, mas tratadas de maneira rasa. É bom, mas poderia ser melhor.

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quinta-feira, fevereiro 23, 2017

para não esquecer os livros



Quando comecei a ler "Caro Michele", de Natalia Ginzburg, eu dava gargalhadas com a ironia da mãe de Michele. Com o andar da leitura, fui percebendo que todos as personagens da história eram muito secos e sinceros, extremamente sinceros. Mas o melhor do livro é perceber as relações familiares, como elas foram construídas. A história é contada com narrativa em terceira pessoa, mas a maior parte são cartas trocadas entre as personagens. Foi um livro que me pegou na primeira página e senti falta quando terminei.

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para não esquecer os livros


Não é para qualquer pessoa que eu indicaria a leitura de "Linha M", livro de Patti Smith. Não porque seja difícil de ler, mas ele tem uma atmosfera que não sei se qualquer pessoa gostaria. É um livro cheio de referências, principalmente literárias e de seriados. Patti Smith passeia por sua memória, tomando café e falando de literatura. Nunca ouvi uma música de Patti Smith e no início da leitura fiquei muito curiosa com o jeito como ela vê o mundo. Vou ouvir Horses, o CD lendário dela, e quem sabe leio o Só Garotos.

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segunda-feira, fevereiro 13, 2017

para não esquecer os filmes


"Redemoinho" (José Luiz Villamarim, 2017) é um filme brasileiro acima da média. Boas atuações, fotografia impecável e roteiro consistente. Gildo chega a Guatacases e passa a véspera de Natal às voltas com um amigo de infância, Luzimar. Neste encontro estão muitas questões: morte, sexualidade, amores deixados para trás, caminhos percorridos, filhos, violência sexual, deixar ou não a pequena cidade de Guatacases para ganhar a vida em outro lugar. A única coisa que poderia deixar o filme ainda melhor seria entrar na questão crucial um pouco antes. Demora-se a entrar no conflito e tudo se resolve rapidamente. Tudo não, muitas questões ficam em aberto, que também é uma parte boa do filme.

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para não esquecer os filmes



"Estrelas além do tempo" (Theodore Melfi, 2016) é daqueles filmes americanos que sabemos como começa e sabemos que vai terminar tudo bem, mas isso não tira dele o mérito de ser uma boa história e muito bem contada. Antes, um adendo, o título em inglês é Hidden Figures, um título decente. Pelo título em português não dá vontade de ver. Só fui porque li a sinopse e vi o título em inglês.

As hidden figures são mulheres negras que trabalhavam na Nasa nos anos da Guerra Fria, anos 1960, e enfrentavam problemas por serem mulheres e negras, num país que tinha acabado com a segregação racial na legislação, mas que ainda guardava resquícios fortes e cruéis desta segregação. A maneira como essas mulheres lidam com as questões e seguem a vida é bom de se ver. É um filme importante, especialmente em tempos de Trump.

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para não esquecer os filmes


É duro dizer, mas "Clarisse ou alguma coisa sobre nós dois" (Petrus Cariry, 2015) talvez seja o pior filme que eu veja em 2017. Péssimas atuações, roteiro ruim, densidade forçada, cenas maçantes. Nem a fotografia que entendidos dizem ser o melhor do filme me comoveu.

Do nada Clarisse resolve visitar o pai que mora num sítio/casa de serra. Não há nenhum nenhum introdução aos conflitos e às questões que eles carregam. Tudo tem o mesmo peso. Não há uma delicadeza, não há uma dúvida, é tudo peso. E ainda é pretensioso. Definitivamente, classificado como ruim.

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para não esquecer os livros


"Desconstruindo Una", da artista inglesa Una, literalmente, desenha a situação da mulher no mundo. Misoginia e cultura do estrupo são os temas, bem como os pequenos sofrimentos que as mulheres enfrentam diariamente por causa do machismo entranhado sem que mesmo as mulheres percebam.

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quarta-feira, fevereiro 08, 2017

para não esquecer os livros




Terminei de ler o segundo volume da série napolitana de Elena Ferrante, História do Novo Sobrenome. Achei ainda melhor do que o primeiro volume, embora a narrativa se estenda muito em alguns fatos. Não é entediante, é apenas a minha ansiedade em ler outros livros. Mas isto, de se estender muito na narrativa de alguns fatos, talvez seja a essência mesmo da vida. Arrastamos alguns fatos por muito tempo, mesmo que às vezes não percebamos. Mas Ferrante, que disseca, que leva o pensamento da narradora às últimas consequências, faz isso muito bem.

Neste segundo volume, Lenu narra a vida de casada e de amante de Lina, com muitos percalços, enquanto a vida dela vai acontecendo à margem, mas acontecendo.

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